segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Malhar para se recuperar ligeiro



Um indivíduo prostrado na cama é o que vem à cabeça de muita gente quando se pensa em alguém enfermo. Mas há exceções a esse clichê. Exceções que, diga-se, estão se tornando a regra em alguns casos. Cada vez mais a ciência encontra provas de que se exercitar durante o período de restabelecimento de uma doença pode acelerar o processo de recuperação do organismo ou, nas situações mais críticas, dar um fôlego extra e mais bem-estar ao doente.

A atividade física começa a ser encorajada em pessoas que acabaram de infartar, por exemplo. Há algumas décadas, quem sobrevivia a um ataque do coração era obrigado a ficar em resguardo por longos períodos. No entanto, um recente estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, concluiu o seguinte: pacientes estáveis que se exercitaram uma semana após a pane cardíaca se beneficiaram mais do que aqueles que esperaram para iniciar o treinamento. Ainda de acordo com o trabalho, para cada semana parada, é preciso malhar o equivalente a um mês de modo a obter os mesmos efeitos da turma que chacoalhou o corpo todo logo cedo.

"Diferentemente do que se imaginava, várias pesquisas mostram que repousar durante esse intervalo deixa o organismo mais fraco, e não mais forte", conta a SAÚDE o professor Alex Clark, um dos autores da pesquisa canadense. O exercício previne a remodelação do coração, fenômeno em que as células que ficam próximas ao local do infarto se readaptam e o órgão tem o seu formato alterado. Esse redesign pode provocar complicações futuras, como insuficiência cardíaca.

Pesquisadores da Universidade de Emory, localizada no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, encontraram mais um motivo para fazer algum esporte no pós-infarto: durante o treino, o corpo fabrica óxido nítrico, o encarregado de dilatar os vasos sanguíneos, melhorando a circulação. "Ao aumentar a produção dessa substância, mais sangue passa pelas coronárias", explica a cardiologista Patrícia Oliveira, do Instituto do Coração de São Paulo. Para uma vítima de um ataque do coração, isso é mais do que uma boa notícia. Afinal, uma maior quantidade de nutrientes e oxigênio chega ao peito, o que contribui para melhorar o quadro geral do infartado.

Os exercícios mais recomendados são os aeróbicos, como caminhar, correr ou andar de bicicleta. A grande vantagem é proporcionar o aumento da capacidade cardiorrespiratória. Numa segunda etapa do tratamento, musculação e atividades de flexibilidade também são importantes. Levantar peso amplia a resposta muscular, a força e a potência do indivíduo. Já as atividades que trabalham a elasticidade atuam no equilíbrio, coordenação e desempenho de ações que podem ser consideradas normais e cotidianas, como lavar a louça.

"A pessoa que está estável já pode se exercitar e ter os benefícios a curto ou médio prazo", diz o cardiologista Daniel Kopiler, chefe do Serviço de Reabilitação Cardíaca do Instituto Nacional de Cardiologia. Mas nada de sair correndo sem conversar com seu médico. Ele vai orientar qual é o tipo de prática esportiva mais recomendado para cada caso, como deve ser realizado e sua intensidade. "A prescrição do exercício deve ser individualizada e, nos primeiros dias após o infarto, ser feita com supervisão médica e dentro de um hospital", adverte Patrícia Oliveira.

Lesões articulares? O remédio também é se exercitar

"Nesses casos, a atividade física é fundamental no processo de reabilitação", avalia o ortopedista Roberto Santin, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. O recurso de praxe é a musculação. "Ela age no ganho de força e de resistência e, sobretudo, nas funções afetadas pelas lesões", diz José Inácio Salles Neto, coordenador do Laboratório de Pesquisa Neuromuscular do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

Músculos fortes, coração sadio

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo mostra que a prática de exercícios aeróbicos reduz a atrofia dos músculos esqueléticos, os responsáveis por movimentos voluntários, como apontar para um objeto. Esse definhamento está relacionado a casos de insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear o sangue direito. "As atividades aeróbicas aumentam a quantidade de sangue com nutrientes e oxigênio que vai para o músculo esquelético", explica a pesquisadora.

Contra o câncer

O exercício também é um grande auxiliar durante e após o tratamento dessa doença. Especialistas do Instituto do Câncer de Duke, nos Estados Unidos, descobriram que pessoas ativas diagnosticadas com tumor cerebral tiveram sua vida prolongada em até 21 meses após a identificação do mal — os sedentários só sobreviveram, em média, por 13 meses. Em entrevista a SAÚDE, Lee Jones, diretor científico do instituto americano, credita os benefícios da malhação ao seu caráter multifatorial. "O exercício tem o potencial de impactar uma gama de sintomas, que vão dos fisiológicos até os psicológicos", diz Jones. O oncologista José Roberto Rossari, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, pormenoriza: "A realização da atividade física é capaz de diminuir a fadiga, a ansiedade, a depressão e o estresse, além de melhorar a autoestima, a imagem corporal e a capacidade aeróbica".

Fonte: Saúde

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Justiça libera obras de Belo Monte no rio Xingu



A Justiça Federal no Pará revogou, nesta sexta-feira, liminar que determinava a paralisação das obras da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu. O juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins revogou a liminar que ele mesmo concedeu no final de setembro depois de avaliar melhor a questão. 
A determinação foi resultado de uma ação movida pela Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (Acepoat). Segundo a associação, mil famílias que dependem da pesca serão prejudicadas pela hidrelétrica.
O juiz afirmou que, ao contrário de sua avaliação inicial, a pesca não será impedida durante a construção da usina, pois o curso da água não será alterado. O parecer ainda diz que estão sendo desenvolvidos projetos de incentivo à pesca sustentável pela Norte Energia. 
Agora, estão liberadas as obras no leito do rio Xingu, como implantação de porto, explosões, implantação de barragens, escavação de canais e outras necessárias para construir a hidrelétrica. Segundo a assessoria do consórcio Norte Energia, empresa responsável pela construção, a decisão não prejudicou o andamento das obras, pois as atividades ainda não atingiram o curso do rio Xingu. 

Fonte: Veja

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Três maiores poluidores rejeitam acordo climático obrigatório



Os três maiores poluidores mundiais - China, Índia e Estados Unidos - rejeitaram na terça-feira (6) um novo acordo vinculante para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, o que aumenta o risco de que a atual conferência climática da ONU termine sem nenhum avanço significativo nesta semana.
A União Europeia lidera os esforços para manter vivo o Protocolo de Kyoto, tratado climático global cuja parte mais crucial expira no final de 2012. Mas os europeus condicionam sua participação à adesão dos três grandes poluidores - que não participam do Protocolo de Kyoto.
Falando aos representantes de quase 200 países presentes em Durban, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, admitiu que "um acordo abrangente e juridicamente vinculante pode não ser possível em Durban, mas essa tem de ser a nossa prioridade."
O Protocolo de Kyoto prevê obrigações apenas para países industrializados (sendo que os EUA se retiraram do tratado). Já os países emergentes, como China e Índia, ficam dispensados de qualquer redução obrigatória.
A meta da UE é que até 2015 seja definida uma atualização do Protocolo de Kyoto que reflita o aumento das emissões em grandes países emergentes.
"A União Europeia gostaria de ver as coisas concluídas assim que possível", disse a jornalistas a comissária (ministra) europeia do Clima, Connie Hedegaard, quando questionada sobre a possibilidade de o acordo ficar para depois de 2015. "Queremos um acordo juridicamente vinculante. Temos razões realmente boas para querer isso."
Existe um consenso de que não há mais tempo para negociar um tratado complexo até o final de 2012. Pela proposta da União Europeia, as novas regras seriam definidas até 2015 para entrarem em vigor em 2020. Cientistas dizem que, se as emissões globais de carbono não começarem a diminuir nesse prazo, o mundo enfrentará consequências climáticas catastróficas.
Embora lidere os esforços globais, a União Europeia responde por apenas 11 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, ao passo que China, EUA e Índia emitem juntos quase metade desse material.
O trio quer deixar para 2015 qualquer compromisso sobre cortes obrigatórios nas emissões. Ou seja, o acordo ficaria para depois da publicação de uma revisão científica a respeito dos efeitos da mudança climática, e de medições sobre a eficácia das promessas de redução de emissões feitas unilateralmente por certos países.
Na semana passada, Pequim acenou com a possibilidade de aceitar metas obrigatórias, mas desde então se recusa categoricamente em falar sobre cifras e prazos.
O principal negociador chinês, Xié Zhenhua, disse a jornalistas que a China pode participar do acordo se, após 2020, os esforços globais forem compatíveis com "responsabilidades comuns, mas diferenciadas".
As nações emergentes alegam que os países desenvolvidos, após se beneficiarem de dois séculos de progresso econômico decorrente das emissões, deveriam ter obrigações maiores que as nações em desenvolvimento.
Fonte: Último Segundo


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